Às vezes (ou muitas vezes) eu me irrito. Pior ainda é se me deparo com gente sem bom senso ou que é cara de pau.
Como todo mundo já sabe, já fui au pair, já fui nanny, baby sitter, babá, sejá lá o nome que vc queira dar. Existem pais de toda forma que vc pode imaginar. Os mais durões, os bacanas, os que sabem tudo o que acontecem com as crianças, os que nem sabem a última vez que eles tomaram banho.
Na educação, varia mais ainda... existem os detalhistas, os liberais, os que querem que vc eduque, os que querem que a criança seja o rei ou rainha da casa. Até aí, mesmo que você discorde, quem tem o direito de ser e agir como for, são eles. Se você está sendo paga pra cuidar das crianças da forma que eles querem, tem que fazer como eles decidam (mesmo que sempre demos a nossa singela opinião).
Tem gente que faz favor... eu sou uma delas. Se uma amiga precisar, estou aqui. Até porque, 'só peço em último caso, mas
muitassss amigas minhas já "babysitaram" (gostou da gramática?) a Becca.
Eu sou do tipo liberal. Ainda mais se alguém está fazendo um favor pra mim. Se eu for pagar, de repente eu exija um pouquinho mais, mas sou da opinião que o quanto mais confortável a pessoa estiver, melhor vai cuidar da minha criança. Claro, não quero que vire a casa da Maria Joana, mas sabe, eu sei que minhas amigas têm bom senso.
Bom, eu tenho vizinhos (dahhh) "eles"são legais... quer dizer, o marido é bemmm legal, e a esposa, bem.
Começou no dia da nossa mudança, ela apareceu, bem simpática, apresentou-se, as crianças também. Trouxe sucos, achamos o máximo. Um dia depois ela nos convidou pra jantar. Hmm, estava ficando melhor ainda!
No manhã do dia do jantar, ela veio aqui em casa e pediu se eu podía ajudá-la a colocar uns quadros na parede - sabe, falar se estavam na mesma simetria, etc. Chegando lá, ela não pedia, mas mandava eu colocar o quadro assim, ou assado. "Agora, segura mais pra esquerda" "Vai alí e empurra a mesa de onde está p/ eu passar". Assim e muito mais, sem nem um "por favorzinho" no meio. Nenhum! Nadica de nada. Mas...deixa pra lá, eu não sou de me encrencar por causa disso.
No jantar, eu do jeito que sou, fui ajudar a tirar os pratos, copos, etc... e ainda mais do que eu estava fazendo, ela não pede, mas
manda eu passar um pano ma mesa pra podermos jogar cartas. Sabe assim... mas tudo bem, passou.
Nisso, vamos nos encontramos, mas eu não vou dando muito espaço, porque sei que jamais seremos "melhores amigas". Todas as semanas jantamos aqui em casa ou na casa deles. Porquê...o marido dela é muitoooooo legal, bem discontraído, bonzinho mesmo. E por que jogamos jogos, e porque é bom pra mudar o cotidiano, e porque a Becca brinca com os filhos dela.
Aí.... 2 semanas atrás ela ia viajar pro Alaska pro casamento do irmão dela. Ía sozinha. Num dos jantares comentou que de repente precisasse de mim pra levá-la no aeroporto. Eu não faço nada, claro que posso. No dia seguinte, me encontra e diz assim: "olha, então... vou te dar a resposta amanhã e dizer se vou mesmo precisar que vc me leve no aeroporto ou não. E se você me levar no aeroporto de tarde, você
precisa cuidar das minhas crianças até o meu marido chegar depois das 6." Tá...aqui eu já estava nervosa. O problema não é pedir, mas mandar, exigir alguma coisa. O problema também é porque eu nunca disse que cuidaria dos filhos dela, e ela nunca comentou isso. E mais do que tudo, porque ela não perguntou se eu tinha algo pra fazer até as 6. Fiquei doida da vida, porque eu odeio gente incoveniente e cara de pau. Mas mas uma vez, deixei passar e não falei nada, pensei que talvez ela estivesse preocupada com a viagem e tudo mais e ainda bem, no fim ela não precisou da minha "ajuda".
Mas enfim, tudo isso pra contar o que aconteceu ontem e hoje, que foi a gota d'água:
Ontem à noite ela me liga e pergunta se eu tinha planos pra hoje à noite. Disse que não, já sabendo que vinha o: "vc pode cuidar das minhas crianças?" Dito e feito, e sério mesmo, não me importo (à não ser que vire cotidiano, claro). Mas enfim...aí ela vem com a história que quer que eu vá pra casa dela às 6 da tarde, e quer que eu coloque as crianças pra dormir as 7:30pm (e frisou que não quer que eles vão pra cama depois disso), e que lá pelas 9:30 eles chegaríam.
Aí perguntei porque eles não poderíam vir na minha casa e ficar conosco. "Não, porque eles tem que ir pra cama às 7:30pm!" Sabe assim, se as crianças dela (4 e 2 anos) fossem mais velhas, e tivessem escola no dia seguinte, eu até daría razão. Mas não. Pelo contrário, ela quer porque quer que seja do jeito dela. Sem falar que quando eles vem jantar aqui em casa, saem daqui 9, 9:30 da noite, mas aí não têm problema as crianças irem pra cama mais tarde né?! Nisso, eu tenho que sair da minha casa, deixar a Rebecca com o Brandon por mais de 3 horas, ele que trabalhou quase o dia todo. Isso porque sei que se trazer ela comigo, as crianças dela não vão pra cama.
Falei mas um pouco, mas acabei desligando aceitando a situação, afinal "amigos"são pra isso. Mas ficou engasgado demais...
Acordei e decidi que não ía mais suportar essa situação, e que devía colocar as pontos nos ís. Encontrei com ela, e disse que se els quisesse que eu cuidasse dos filhos dela, que ela os trouxesse pra minha casa, e quando desse, mais tarde, eu traría eles pra casa dela e colocaría na cama. Ela se assustou toda, "como assim, Bial???". Expliquei o porque não. O que ela queria era porque ela queria, e não por necessidade, e se não é necessidade, não faria. Ou faria do meu jeito, como fosse conveniente pra mim. Alem do que, sabe...é um favor!
Ela disse ok, e se foi. 2 horas depois ligou e disse que tinha mudado de idéia e que não ía mais sair. Acredite ou não, disse "obrigada". Eu nem me comovi e só disse 'de nada'.
Sabe, tem gente que não se manca mesmo. Tem gente que não sabe medir o bom senso do 'perder as estribeiras'. E se a gente não toma cuidado, essas pessoas tomam conta de você de uma tal forma que depois é difícil retomar a situação. Ainda mais gente assim, que não te dá nada em volta... seja um favor, ou pelo menos, uma palavra.
É por isso que digo: 'Por favor' e 'Obrigado' continuam sendo palavras de muito valor. E as atitudes, sejam quais forem, também influenciam a maneira que somos tratados, seja para o bem ou pro mal.